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| Manifesto pela proteção da zona costeira Comunidades tradicionais e ONGs repudiam alterações no Código Florestal brasileiro sem a participação efetiva da sociedade civil Brasília, 04 de maio de 2010 — Nós, comunidades costeiras e organizações não governamentais que lutam pela proteção da zona costeira e por um desenvolvimento mais justo e sustentável, abaixo assinadas, repudiamos quaisquer alterações no Código Florestal Brasileiro propostas na Comissão Especial que trata do tema na Câmara dos Deputados, sem que antes nossas organizações sejam devidamente ouvidas.
Entendemos que a Lei 4.771/1965, o Código Florestal brasileiro, tem grande importância na conservação das matas costeiras, desde a Mata Atlântica, até os manguezais, estes últimos considerados, na sua totalidade, áreas de preservação permanente.
Essas regiões florestais e estuarinas são imprescindíveis para a manutenção de todo o bioma costeiro e marinho, mais ainda para a regulação da temperatura do planeta, como sumidouros de gás carbônico, um dos gases de efeito estufa. São ainda importante fonte de recursos e alimento para famílias de pescadores, extrativistas e pequenos agricultores litorâneos. A ameaça às florestas e demais formações costeiras colocam em risco a segurança alimentar das populações tradicionais.
É inaceitável que nenhuma das comunidades costeiras, diretamente afetadas por alterações propostas nos 11 projetos de lei e no relatório final que será redigido por essa comissão, tenha sido convidada a expor sua posição a respeito do assunto, e nem se quer consultada durante audiências públicas que ocorreram em cidades litorâneas. Também é inaceitável que qualquer alteração no Código Florestal provoque redução na proteção florestal, considerando especialmente os 93% que já foram destruídos da Mata Atlântica, principal bioma costeiro do Brasil.
Repudiamos também toda e qualquer tentativa de flexibilizar o atual processo de avaliação de impacto ambiental de empreendimentos de infraestrutura, especialmente no contexto de obras portuárias como a construção do Complexo Intermodal do Porto Sul/BA, Porto de Suape/PE e o Porto Mar Azul- Baía Babitonga/SC que irá causar danos irreversíveis aos ecossistemas costeiros suprimindo a Mata Atlântica, regiões estuarinas e de manguezais, afetando o desenvolvimento das comunidades costeiras, colocando em risco os diversos serviços ambientais e ameaçando a sustentabilidade econômica, social e ambiental no nosso litoral.
Associação Civil Greenpeace Centro Golfinho Rotador - PE Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará – FDZCC RedManglar Internacional Instituto Terramar-CE Rede Costeiro-Marinha e Hídrica do Brasil – Rema Centro de Estudos para a Conservação Marinha - Cemar Instituto Baía de Guanabara – IBG Associação Ação Ilhéus - BA Rede Sul da Bahia Justa e Sustentável Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica – Ipema Associação de Estudos Costeiros e Marinhos – Ecomar Instituto Amigos da Reserva da biosfera da Mata Atlântica - IA.RBMA Associação Amigos da Prainha do Canto Verde - CE Associação dos Moradores da Prainha do Canto Verde - CE Reserva Extrativista da Prainha do Canto Verde - CE Conservação Internacional (CI-Brasil) Instituto Bioma Brasil Movimento Salve Maracaípe Grupo de Ictiologia Marinha Tropical - PE Instituto Laje Viva - SP Instituto Floresta Viva - BA Associação Movimento Ecológico Carijós - Ameca/SC Fundação SOS Mata ATLÂNTICA Grupo Ambientalista da Bahia – Gambá Associação Mico Leão Dourado Instituto de Justiça Ambiental Instituto Sea Sheperd – Brasil Agência Costeira Entidade Ecológica dos Surfistas – Ecosurfi – SP Projeto Lixo Marinho/Associação Praia Local Lixo Global - Global Garbage Brasil Fundação Pró-Tamar Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental – Nema – RS Instituto Albatroz Laboratório de Ecologia e Restauração da Biodiversidade (Lerbio)/UFPE Instituto Maramar para o Manejo Responsável dos Recursos Naturais Surfrider Foundation |
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